Adriana _ Quando a aceitação vence a vergonha

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Adriana Luís da Silva tem 21 anos e a aceitação do seu corpo de formas mais redondas e acima do seu peso ideal culminou na decisão de arriscar participar num casting para modelo de uma marca de lingerie.

Foi escolhida! Desde então, tem sido uma inspiração para outras mulheres e a sua luta pela auto-estima ganhou ainda mais sentido. Não por querer ter um corpo perfeito, mas por querer viver mais anos e com a mente sã. “Nunca gostei muito do meu corpo até perceber que não há corpos perfeitos , mas sim reais”. 

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O caminho para a aceitação corporal é na maioria das vezes tortuoso, principalmente para as pessoas que fogem aos estipulados “padrões” de beleza difundidos socialmente através dos mais diversos meios. Foi o caso de Adriana Luís da Silva, que nunca se sentiu bem nas suas formas mais cheias, de barriga saliente e maminhas maiores do que as meninas da sua idade.

A vergonha tomava muitas vezes conta dos seus dias, até que, mais tarde, através de algumas pessoas que seguia nas redes sociais, começou a perceber que, mais importante do que o “embrulho”, era o “presente” que lá estava dentro. E que esse, sim, deveria ser estimado. Foi a partir daí que o braço de ferro entre a vergonha e a aceitação começou a mudar, acabando por vencer esta última. 

Adriana Luís da Silva, licenciada em Turismo e Lazer e modelo de lingerie feminina da marca Dama de Copas, sente-se bem na sua pele e tenta inspirar outras mulheres a vencerem as suas batalhas de auto-estima, não querendo dizer com isso que defende o descuro por uma vida saudável. 

Leia os incríveis testemunhos que Adriana faz questão de partilhar:

“Vergonha e medo.


Desde o início da adolescência que lido com estas palavras no dia a dia. A vergonha do meu corpo, de ter quilos a mais, de ter barriga, de ter umas maminhas maiores que a maioria das raparigas. O medo de não ser boa o suficiente, de que não gostem de mim pelo meu aspeto, do que os outros vão pensar ou dizer.

Mas sabem que mais? Que se lixe tudo isso! Que se lixem os estereótipos e os comentários maldosos! Que se lixe a vergonha! Está na hora de aceitar o meu corpo como é! Está na hora de gostar de mim! Porque esta sou eu e por muito que se queira não há volta a dar! Se não me sentir bem com a minha casa (que é como quem diz com o meu corpo) onde me vou sentir bem?

 

Amor próprio.


Para quem tem medos e inseguranças como eu tinha, o amor próprio é quase como um bichinho de sete cabeças, é algo que não sabemos bem como lá chegar e por vezes achamos mesmo que nunca vamos conseguir. Não é um processo fácil e, sem dúvida, não é rápido. Não é como tomar um comprimido e ir dormir, que as dores desaparecem. Requer trabalho, requer uma mudança de pensamento, uma mudança na forma como falamos e agimos, requer a aceitação, porque se não nos aceitarmos como somos, nunca teremos amor próprio. 

(…)

O casting

Se há um ano me dissessem que ia ser modelo de uma loja de lingerie eu diria que estavam loucos. Lá tinha corpo para isso… Mas nunca digas nunca, não é assim? 

Em setembro de 2019 surgiu um casting que me levou a pensar que talvez não fosse assim tão impossível, que talvez eu fosse suficiente e conseguisse fazer isto, porque se existem já tantas modelos ditas ‘’plus size’’ – apesar de não concordar nada com este termo, para mim são modelos e pronto, mas isso é conversa para outro dia – por que razão eu não conseguiria? 

Tinha sido operada há um mês e decidido que era altura de mudar a forma como olhava para mim e a forma como pensava. E este casting era mais um motivo para me ajudar a mudar a maneira de pensar e agir. Falei com a minha fisioterapeuta, contei-lhe que estava a pensar participar, mas que tinha de andar sem as canadianas e de saltos altos até ao final do mês para me poder inscrever. Ela disse-me que “sim” e que se eu estava mesmo decidida em participar, até à data do desfile íamos fazer o necessário para isso acontecer. Pedi ajuda à minha melhor amiga para me tirar umas fotografias para enviar juntamente com a candidatura… et voilà

(…)

Aceitação versus acomodação.


Vamos lá falar sobre isto, porque existe uma grande diferença entre estas duas palavrinhas mas que as pessoas acham que são uma só. O facto de aceitar o meu corpo como ele é, de passar a gostar mais das minhas estrias, da minha barriguita, das minhas mamocas, do meu corpo e de mim mesma, nada tem a ver com o facto de estar ou não a fazer alguma coisa para perder peso! 

(…)

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Quando me acomodo com o meu corpo, não passo a gostar mais dele, ou de mim própria,  simplesmente aceito o corpo que tenho, mas nada faço para o alterar! Se foi difícil aceitar o meu corpo? Foi, claro que foi. Se me sinto muito melhor comigo mesma? Claro que sinto! E porquê? Porque passei a acreditar muito mais em mim, porque passei a gostar mais de mim e a perceber que tudo depende única e exclusivamente de mim! E sou tão mais feliz assim! E é tudo tão mais fácil quando somos mais felizes! 

Desporto? Está tudo bem!

Depois de uns anos parada, finalmente voltei a fazer desporto. Não estou na minha melhor forma física, e até lá chegar ainda vai demorar e tenho a certeza disso. E está tudo bem.
Tomei a decisão, dentro daquilo que me é permitido, de voltar a fazer exercício. Percebi que já não gosto tanto de passar horas no ginásio como gostava e que afinal até gosto de aulas de grupo. E está tudo bem.
(…)

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Não leves a mal…

“Olha não leves a mal, mas não devias ter em atenção aquilo que comes e perder peso?” ou “Espero que não leves isto como uma ofensa, mas não devias fazer exercício e perder uns quilos?”. Deixem-me contar-vos um segredo: THIS IS SO NOT COOL [“isso não é nada fixe”]. E sempre que alguém começa uma frase com “olha não leves a mal”, nada de bom pode vir daí… então, porque simplesmente não ficar calado? Sim, eu faço exercício! Sim, eu preocupo-me com aquilo que como!

(…)

Se não tens nada agradável nem positivo para me dizer, então simplesmente não digas nada! Até porque nada do que possas dizer me vai fazer alterar o meu estilo de vida! Não vivo para te agradar e não és tu que sabes o que é melhor para mim!
Seja desporto, alimentação ou outra coisa qualquer, faço-o por mim e porque gosto! Porque o que é feito com amor dá sempre resultados, nem que seja gostar ainda mais de mim!”

(ARTIGO DISPONIVEL NA INTEGRA NA NOSSA EDIÇÃO 19 À VENDA NA LOJA ONLINE OFERTA DE PORTES DE ENVIO. COMPRE JÁ!)