A prevenção feita pelos Cinesitraquinas nas creches

0
89

Os Cinesitraquinas todos os anos renovam as parcerias que fazem com as creches e colégios da zona metropolitana de Lisboa. São muitos os “traquinas” que semanalmente são avaliados por esta equipa de enfermeiros de reabilitação pediátrica

A Miúdos & Graúdos falou com os Cinesitraquinas para conhecer melhor o trabalho que desenvolvem nas creches.

Os Cinesitraquinas são conhecidos pelo seu trabalho com as crianças nos seus domicílios, o que vos levou às creches?

O envolvimento dos Cinesitraquinas com as creches teve por base o conceito da prevenção. Efetivamente, o rastreio respiratório realizado periodicamente nas creches permitiu desenvolver um novo conceito de avaliação periódica da respiração dos mais pequenos, permitindo com isso um despiste e atuação mais precoces, e uma maior e melhor prevenção das tão indesejadas infeções respiratórias.

Quais são, no vosso entendimento, os fatores podem influenciar o surgimento de infeções respiratórias, nos bebés e crianças?

Tanto o tipo de patologia, como a respetiva incidência, irão sempre depender de fatores muito importantes, tais como: o desenvolvimento das defesas do bebé (sistema imunitário), os contactos com terceiros, tanto na creche como no exterior, e talvez, o mais importante, os cuidados preventivos que os pais/cuidadores do bebé têm no seu dia-a-dia, dentro e fora da creche. 

Quais as patologias que mais encontram nas vossas intervenções nas creches?

A instituição “creche” pressupõe desde logo um número considerável de bebés/crianças. Logo aí, não é de estranhar que as situações com que nos deparamos sejam também elas variadas.

Mas as infeções com que nos deparamos mais são regularmente patologias como a bronquiolite ou as infeções das vias aéreas superiores (laringites, faringites e amigdalites), que são infeções virais muito presentes no desenvolvimento do bebé responsáveis por grande parte das co-morbilidades no seu desenvolvimento.

Qual o feedback que têm dos pais relativamente às vossas ações nas creches?

Tem sido excelente. Aliás, é muito gratificante a forma como somos “absorvidos” completamente pelos pais, e tidos como os profissionais que já fazem parte de todo o processo de desenvolvimento dos seus bebés.

E claro que temos perfeita noção (e é muito notório) que somos, naqueles momentos de aflição, as pessoas que estão sempre disponíveis para os ajudar e esclarecer todas as suas dúvidas face às situações embaraçosas e que tanta ansiedade causam a toda a família. 

Toda esta confiança que os pais depositam na equipa Cinesitraquinas e nos nossos cuidados representam muito para nós, muito mesmo!

Qual a relação que criam com os pequenos?

Pois, eis o cerne de toda a questão (risos). É fácil compreender que temos um contacto contínuo, todas as semanas, com os bebés e, por isso, a primeira vez que estamos com eles, certamente, não será igual à segunda, nem à terceira e por aí fora… De facto, à medida que estabelecemos mais contactos com os mais novos, eles acabam por nos reconhecer cada vez mais e melhor.

E os miúdos colaboram, ou fogem a “sete pés”?

Nas primeiras sessões, não é realmente o momento mais agradável e simpático para nós: há choro (risos), rejeição e desconforto.

Mas à medida que vão crescendo com a nossa presença e interação, a relação transforma-se e passa a ser, a cada sessão, um reencontro entre “velhos amigos”, onde o choro dá lugar às risadas e às brincadeiras.

Para além de ganharmos uma colaboração extraordinária da criança no seu próprio rastreio, o que é excelente.

Assim por alto, o que compreende o rastreio?

Resumidamente, o rastreio é no fundo uma avaliação sumária da respiração, no qual, após a auscultação, avaliamos a respiração dos bebés, se existem ou não secreções (sem esquecer também a monitorização do oxigénio no sangue do bebé) e realizamos as manobras para que essas secreções sejam expulsas e libertas, evitando assim as tão indesejadas infeções respiratórias. 

O rastreio que os Cinesitraquinas realizam são a mesma coisa que uma sessão de cinesiterapia respiratória?

Não. Não podemos confundir este rastreio com as sessões de cinesiterapia respiratória, pois seria impossível demorar 45 minutos (duração aproximada dessas sessões) com cada um dos 20, 30 ou 40 bebés que temos em cada rastreio de cada creche.

Só conseguiríamos isso se nos apresentássemos na creche no dia anterior (risos). De qualquer forma, também não faria sentido auscultarmos os bebés e não removermos secreções nenhumas.

O que tentamos sempre fazer, com o pouco tempo que temos, é aplicar técnicas que sejam eficazes na remoção destas secreções.

Como fazem chegar aos pais o resultado dos rastreios?

Os Cinesitraquinas fazem questão de manter sempre presente, nestes rastreios, a disponibilidade e proximidade para com os pais.

Assim, após cada rastreio a informação é enviada, individualmente, para os pais. Qualquer dúvida que haja estamos sempre disponíveis para os esclarecer.

Tentam agir antes das infeções respiratórias se instalarem. Mas quando encontram uma criança com um quadro já mais grave qual é o vosso procedimento?

Qualquer que seja o caso que encontremos, procuramos ter sempre uma avaliação rigorosa e enviar a informação para os pais. 

Face às situações que consideramos de maior gravidade, a nossa prioridade é avaliar se será benéfica a nossa atuação e, caso não seja, juntamente com a creche, contactamos os pais para que eles possam agir e dar à situação o melhor encaminhamento possível, quer seja para o pediatra, quer seja para a urgência hospitalar. 

Os Cinesitraquinas possuem uma rede de outros profissionais de saúde que possam recomendar aos pais?

Hoje em dia, atendendo à proximidade que, felizmente, existe entre pediatras e os pais as crianças são observadas com alguma rapidez pelo pediatra ou por outra especialidade que seja mais indicada naquele momento.

Mas quando por algum motivo isso não é possível, são os próprios pais que nos pedem auxílio, e claro que os Cinesitraquinas contam com a sua própria rede multidisciplinar (pediatras, imunoalergologistas, odontopediatras, entre outros) para dar resposta a esses casos.

Quais são, para os Cinesitraquinas, as grandes vantagens deste serviço nas creches?

Acima de tudo temos uma vigilância muito mais apertada de uma área tão delicada na infância, que é a saúde respiratória. Ter rastreios semanais permite, desde logo, a possibilidade de um despiste e atuação mais precoce. Quanto mais cedo nos apercebemos que existe obstrução, mais cedo agimos para mantermos as vias aéreas livres de secreções. Por vezes isso só se consegue recorrendo a uma cinesiterapia respiratória preventiva.

Após os rastreios nas creches qual a vossa disponibilidade?

Bem… nas creches o acompanhamento não é muito diferente do acompanhamento que fazemos ao domicílio. A partir do momento em que os bebés realizam este rastreio respiratório connosco, estaremos sempre disponíveis para ajudar e esclarecer os pais em todas as dúvidas que possam ter.

Como é que as creches podem entrar em contacto convosco?

Os nossos contactos serão os mesmos para todos os que precisem de nós: desde o nosso email (enf.reabilitacaopediatrica@gmail.com), ou através das nossas redes sociais (Facebook e Instagram) @Cinesitraquinas, sem esquecer os nossos contactos telefónicos (914410021/917493799) que estão sempre disponíveis, 24 horas, sete dias por semana.

POR: Cinesitraquinas _ Marisa Pereira e Carlos Costa _ Enfermeiros Especialistas em Reabilitação Pediátrica