A Introdução De Um Novo Animal Na Família

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Joana Martins_ Veterinária

Quantos de nós não quisemos um animal de estimação enquanto crianças, ou mesmo quantos de vós têm filhos que insistentemente pedem um cão ou um gato?
O cão ou o gato são o animal de estimação mais procurado para fazer parte da família, pelo que falaremos um bocadinho mais deles.
O período de socialização de um cão decorre entre as 3 e 12 semanas de idade, tendo este uma importância fundamental para o desenvolvimento do animal com base nas suas experiências com outros animais, o meio ambiente e, ainda com o ser humano.
Na natureza os gatinhos poderão permanecer com a sua progenitora e grupo social até aos 6 meses ou mesmo um ano, abandonando-o depois para constituir o seu próprio grupo. Apesar disso, é por volta das 8 semanas que são desmamados e começam a intensificar o seu instinto de predadores, ainda que comecem a aprender com as mães por volta das três semanas. Claro que um gatinho que vai viver em casa não terá de caçar para sobreviver, mas é bastante importante que desenvolvam certos comportamentos antes de serem separados. É também importante que seja feita uma boa socialização, ainda que gatos sejam muito diferentes de cães em certos aspetos relacionados com o comportamento.
Pelas razões acima descritas não recomendamos que um animal seja retirado da sua ninhada com menos de 8 semanas, sendo que o ideal será mesmo não serem separados até às 12.
A mudança de casa destes pequeninos representa geralmente um fator de stress, quer seja porque o animal vai ser separado da mãe e irmãos, porque vai fazer uma viagem de carro numa transportadora em que provavelmente nunca andou, vai contactar com humanos e animais que provavelmente não conhecia e vai ser alimentado possivelmente com uma ração diferente da que comia anteriormente. Todos estes elementos vão ser um fator de stress, podendo mesmo refletir-se no estado geral e de saúde do animal. Assim, se possível, todas as mudanças devem ser feitas de forma gradual.
Um tema que preocupa muitas vezes os tutores destes animais, principalmente se têm crianças em casa, é a desparasitação. Vamos por isso focar-nos em alguns aspetos que devemos ter em conta.
Como sabemos, existem parasitas internos, a nível do trato gastrointestinal maioritariamente, e externos, como as pulgas, carraças ou mesmo os ditos mosquitos.
Os parasitas são vetores de diversas doenças e devemos por isso seguir um regime profilático, ainda mais estrito se temos crianças.
A desparasitação interna começa tão cedo na vida deles quanto às 2 semanas de idade, não esquecendo também que a mãe deverá ser desparasitada. É depois realizada a cada duas semanas até aos 2 meses de idade. Após os dois meses é recomendado desparasitar internamente em regime mensal até aos 6 meses e posteriormente deverá ser feita a cada 3 meses.
Com relação a desparasitação externa, existem desparasitantes que podem ser utilizados a partir dos 2 dias de idade, à base de fipronil, mas que recomendamos apenas para animais que pela idade ou peso não possam ainda utilizar outros produtos, dadas as resistências existentes. Existe uma enorme variedade de desparasitantes externos, quer sejam sob a forma de spot on (pipetas), comprimidos ou coleiras. Aquando da escolha de um desparasitante externo para cachorros e gatinhos, é importante ter em consideração que existem pesos e idades mínimas para a colocação de certos produtos. Existe também para cães e gatos um princípio ativo relativamente recente, o fluralaner, que protege contra pulgas e carraças durante 12 semanas, sendo por isso tão apelativo.
Em regiões em que exista prevalência de leishmaniose, existente em praticamente todo o continente, ou de dirofilariose, com maior prevalência na zona sul do país e ilhas, as desparasitações devem ter esses aspetos em consideração, quer pela aplicação de spot on mais específicos, ou mesmo de coleiras.
Um conselho que dou é que tenham sempre bastante atenção ao comprar produtos de desparasitação externa, já que desparasitantes externos para cães são bastante tóxicos para gatos. Claro que podem haver exceções, mas se estivermos informados vamos estar mais atentos e evitamos assim episódios de urgência que podem levar a quadros de intoxicação bastante graves e até à morte do animal, se o quadro não for revertido a tempo.
As vacinas são uma forma de transmissão de imunidade e é fortemente recomendado que os mesmos sejam vacinados, quer pela proteção do próprio animal, quer pelo efeito de proteção de grupo que estamos a induzir.
O protocolo vacinal deve ser iniciado, tanto em cães como em gatos, entre as 6 e as 8 semanas, já que este período é quando a imunidade transmitida pela mãe começa a decrescer. As revacinações são realizadas a cada 3 a 4 semanas, até pelo menos às 16 semanas de idade. Atualmente, recomenda-se também fazer um reforço vacinal quando o animal atinge um ano de idade, devendo posteriormente ser revacinado em regime anual para algumas das doenças infetocontagiosas mais comuns.
Não devem ser atrasados os reforços vacinais, pois um atraso implica muitas vezes reiniciar o protocolo. É fundamental também que o animal só ande em contacto com o chão duas semanas após completar a primovacinação, ou seja, por volta dos quatro meses e meio.
Atualmente, a vacina contra a raiva é a única vacina obrigatória para cães em Portugal, devendo ser administrada pela primeira vez a partir dos 4 meses e até aos 6 meses de idade.
A colocação de microchip em cães nascidos após 1 de julho de 2008 é obrigatória por lei. Relembro também que todos os cães devem obrigatoriamente ser registados na Junta de Freguesia da respetiva residência, após colocação de microchip e administração da vacina antirrábica.
No caso de adotarem um cão já adulto, tanto as desparasitações como vacinações são importantes e devem ser realizadas, mas num esquema diferente do apresentado anteriormente.
Nunca hesitem em tirar qualquer dúvida com o vosso médico veterinário, lembrem-se que estamos cá sempre para ajudar e zelar pela saúde e bem-estar dos vossos animais!