A depressão durante a gravidez

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Revista Filhos - Antes da Gravidez
Revista Filhos - Antes da Gravidez

É muito comum ouvir-se falar da depressão pós-parto. Porém, há mulheres que desenvolvem esses sintomas depressivos durante o período de gestação e, à semelhança dos primeiros casos, é importante uma intervenção médica.

«Planeei a minha gravidez, ou seja, foi desejada. Consegui que isso acontecesse em pouco tempo e quando o teste deu positivo apoderou-se de mim uma tristeza profunda. Acordava todos os dias deprimida, sem vontade de sair da cama, não queria ver ninguém e nem sequer suportava um abraço do meu companheiro». O testemunho é feito por uma mulher que passou por uma depressão durante o período de gestação. É mais comum as mulheres passarem por isso quando o bebé nasce, a chamada depressão pós-parto, mas também acontece durante a gravidez.

Numa altura em que a mulher deveria estar a sentir-se no céu por estar à espera de um bebé, a escolher alegremente roupas para o recém-nascido, a preparar o quarto do filho e a tirar todos os dias fotos à barriga a crescer, ao invés disso, existe tristeza, apatia, angústia.

Nas situações de depressão mais ligeira, podem ser aconselhados métodos alternativos que ajudem na diminuição da ansiedade ou no relaxamento.

Os fatores de risco

A gravidez é um momento muito especial na vida da mulher sob todos os pontos de vista: emocionais, biológicos, sociais. Mas as alterações hormonais aliadas a alguma ansiedade com todas as mudanças que ocorrem nesta altura causam normalmente flutuações de humor. A grávida pode ter vontades súbitas de chorar e ficar extremamente sensível. Se estes sintomas se manifestarem de forma exacerbada, podemos estar perante um quadro de depressão.

Os sinais de que algo está mal
Há sinais que indicam que algo não está bem na mulher e é importante saber reconhecê-los. Numa situação de depressão na gravidez, a mulher pode começar a ter problemas ao nível da alimentação e do sono. Ou come demais ou não come nada, ou tem sonolência excessiva ou insónia. A libido diminui, bem como a energia. A mulher perde o prazer pelas atividades quotidianas e deixa de fazer coisas que antes gostava.

Paralelamente, há um sentimento de culpa, pois a sociedade espera que as grávidas estejam felizes pelo seu “estado de graça”. É muitas vezes esse sentimento que impede as doentes de verbalizarem a sua tristeza com médicos ou familiares. É importante frisar que os perigos de esconder estes sintomas são grandes e perigosos para o feto e para a gestante. Para o bebé, existe o risco deste nascer prematuro e com baixo peso. Estudos sobre esta matéria apontam também fortes probabilidades dos bebés virem a ter problemas de sono por volta dos 18 meses, bem como danos na formação de estruturas importantes do sistema nervoso central.

Assim, é fundamental estar atenta a todos os sinais e caso se identifique com grande parte dos sintomas, procure ajuda com um médico: sentimentos depressivos, tristes, na maior parte do dia, quase todos os dias, por no mínimo duas semanas; perda de interesse ou prazer em atividades de que normalmente gosta; fadiga, falta de energia; inquietude; sentimentos de culpa ou de inutilidade; dificuldade em concentrar-se; distúrbios do sono ; distúrbios de apetite; ou pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.