Como podem as tecnologias ajudar a aprender matemática? 

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Escrever sobre tecnologias é um desafio, um imenso desafio… há mil artigos que referem as vantagens das tecnologias nas aprendizagens e outros mil que referem as desvantagens, há quem defenda o “sempre” e quem prefira o “nunca”… por isso, a minha opinião é exatamente isso: uma opinião.

Enquanto mãe e enquanto professora. Opinião de uma mãe de uma adolescente e um pré-adolescente e professora de imensos adolescentes… e não só! 

Este é um novo tema de um À conversa com pais… palestras conversadas em que partilho ideias e sugestões. 

Hoje reconhecemos que os nossos filhos vivem num mundo completamente diferente. Nasceram numa era digital, em que a tecnologia faz parte do dia a dia.  

É parte do dia a dia! 

Mas serão os nossos filhos (mais) atentos?  

(Mais) autónomos?  

(Mais) concentrados?  

(Mais) persistentes? 

São capazes de resolver problemas? 

Têm espírito crítico? 

Têm capacidade de trabalho? 

 As tecnologias podem ajudar no desenvolvimento destas características? E como fica a matemática neste mundo das tecnologias? Serão tudo vantagens? Será possível viver fora deste mundo tecnológico? 

 Em muitos momentos dou comigo a pensar que andamos todos demasiado preocupados com conteúdos, com ensinar matérias, com reter conhecimento, com notas e avaliações e por vezes perdemos o foco de que, enquanto pais, temos também a tarefa de desenvolver neles competências! Competências essas que serão as ferramentas que farão diferença no futuro dos nossos filhos. 

O que lhes fará mais falta: serem autónomos no estudo ou saberem de cor todas as bandeiras dos países? 

Saberem apertar atacadores e serem responsáveis pelas suas coisas ou resolverem todos os exercícios propostos à primeira? 

(Estas e outras questões são para cada um refletir e ponderar o que faz mais sentido na sua realidade, na sua família, com os seus filhos, com este filho especificamente – porque o que resulta com o mais velho não vai resultar com o mais novo, o que fez sentido enquanto o filho andava no 1º ciclo pode não fazer sentido para a filha na mesma faixa etária… chama-se diferença e evolução, chama-se adaptação a cada criança, chama-se ritmo.) 

 
Como podemos, enquanto pais, desenvolver competências essenciais à sala de aula de matemática?  

Como podemos aliar as tecnologias a este desenvolvimento? 

Creio que não temos dúvidas que a tecnologia mudou a forma de educar… e de ensinar! 

 
Os nossos filhos já não ouvem música em CD´s (embora tentemos ressuscitar o velhinho vinil e os gira discos dos nossos pais e avós), não sabem o que são telefones com fios, não compramos mapas das estradas, não vemos televisão na hora em que o programa vai para o ar, já nem usam uma pen muito menos sabem como funcionava uma disquete… 

Viajamos com GPS, marcamos férias e compramos viagens pela internet, ouvimos música através de playlist no Spotify, há aspiradores “inteligentes” e máquinas que cozinham sozinhas, falamos por Facetime e os convites de aniversário em papel deram lugar a grupos de WhatsApp

 
Este é o mundo deles! E o nosso também! 

 (…)

Mas tem de haver espaço para as aulas mais “tradicionais”.  

Não tem de ser tudo dinâmico, interativo e com recurso à tecnologia. 

A matemática precisa de caderno e lápis. 

Precisa de trabalho individual. Precisa de treino. De exercícios e trabalhos de casa. 

Os nossos filhos têm de perceber a necessidade e o enriquecimento que podem obter em ambas as situações… não tem de ser tudo teórico, mas também não tem de ser tudo prático. 

Em casa, os nossos filhos contactam desde cedo (desde que nascem) com a tecnologia. A questão é simples, como a aproveitar e tornar uma mais valia? 
 

Não temos dúvidas de que a internet é um meio muito rico de pesquisas, de resposta a questões, de ir mais além na procura do conhecimento, da realização de tarefas (t.p.c) mas também permitem momentos de diversão em família, permitem dançar, cantar e jogar… podemos criar bons momentos entre todos utilizando a tecnologia como mais valia. 

O jogo é sem dúvida uma forma de desenvolver competências, já escrevi sobre isso noutros artigos. E o jogo através das tecnologias também não tem de ser sempre uma desvantagem.  

(…)

A mim parece-me fundamental deixar claro que a tecnologia não resolve os problemas todos…  

não motiva todos os alunos desmotivados…  

não coloca quem não gosta de matemática a gostar das aulas todas e das matérias todas…  

não transforma alunos com nível negativo em alunos com nível positivo…  

ajuda a cativar…  

ajuda a prender a atenção…  

ajuda a melhorar a motivação, 

mas temos de equilibrar o online com o offline… este equilíbrio é que vai garantir a qualidade das aprendizagens.   
“O melhor presente que os pais podem dar aos filhos é ensiná-los a amar desafios, intrigarem-se com os erros, apreciarem o esforço e continuarem a aprender. 

Assim, os nossos filhos não serão reféns do elogio. Ao longo da vida, terão ferramentas para construir e manter sua própria confiança.” 

— Carol Dweck, Stanford Univesity 

Se isto vai fazer falta na sala de aula de matemática? 

Vai! Nem imagina quanto! 

 POR: Inês Cruz _ Mãe e Professora de Matemática

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