Até a Era Digital precisa de Limites

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Queridos pais, há uns dias fui almoçar fora com a família.

Estava um dia lindo, numa esplanada à beira rio, mais relaxante era impossível; não fora o casal sentado a uma mesa de distância de nós. Garanto que a escolha da mesa não foi nem um bocadinho minha e que não fiz de propósito para me sentar ali para estar a analisar a situação (como confesso que adoro fazer: aprende-se muito a analisar o comportamento alheio). Vocês perguntarão o que é que o tema tem a ver com o casal. TUDO!

Porque imaginem só que este casal vinha acompanhado do seu rebento. Um rapaz, com os seus três aninhos. Diante dele tinha o pai. No meio deles um cesto de pão com azeitonas, um copo, mas a única coisa que ele via era só mesmo o famoso tablet!

Ai da mãe que tirasse o TABLET da frente dele, nem que fosse para mudar o vídeo que ELE estava a ver, ou para o sentar direito na cadeira, ou desviar dali alguma coisa que estivesse por perto. A reação da criança mais querida era das duas, uma: ou gritava e esperneava, ou atirava com o que apanhava para a cara da mãe.

Claro que isto “só” aconteceu umas quatro ou cinco vezes durante o tempo da refeição, porque a mãe, com medo do escândalo, já pouco se atrevia a dizer, fazer ou mexer fosse no que fosse. A criança comeu pouco. Mesmo a comida sendo levada à boca, não conversou, não riu, imagino que nem tenha se dado conta que ali também estavam mais pessoas, árvores, o rio; com sorte reparou que a mãe esteve ali para lhe dar comida. E o pai… o pai não tenho bem a certeza, pois se lhe perguntar se o pai foi ontem almoçar com ele, ele não se lembrará.

(…)

Quem me dera que esta história fosse singular e extraordinária, mas digam-me vocês. Não é o que assistem diariamente nos cafés, nos carros e autocarros, restaurantes, centros comerciais, parques?

(…)

Ouço imensos pais a dizer o difícil que é educar nos dias de hoje. Será assim tão mais difícil, ou é só uma frase que se diz para justificar tudo? Sempre existiram as crianças que usavam sapatos e os outros não; outros usavam roupas de marca, enquanto que as outras não. Houve sempre competição, os que gozam com os que não têm, os que pedem aos pais para ter o que não podem, e então? Faz parte ouvir que “NÃO, NÃO É POSSÍVEL!” – SEM CULPAS! Sem remorsos. Sem outras complicações. Façam-lhes esse favor para bem deles, para o vosso bem, para o bem do mundo que é (ainda) de todos. Por isso, sim, é difícil educar. Foi sempre. E creio que será sempre o maior desafio do ser humano durante a vida.

Educar com consciência é o caminho, pais!

(…)

Então pais? O que se passa convosco? Falta de paciência? Têm dificuldade em dizer “NÃO”? É isso? Adorava poder ouvir-vos. Por favor, contem-me. Digam-me as vossas razões. Sem julgamentos!

Adorava poder ajudar-vos. Adorava que dessem a vocês mesmos a oportunidade de reverter a situação. Que conseguissem desfrutar dos vossos filhos, com menos culpa, com mais amor. Que fossem orgulhosos daquilo que estão a criar. Como querem que ele seja? Que valores pretendem passar, com este alheamento do mundo real, substituído pela conexão desmedida e exagerada ao mundo virtual.

 Obrigada por este bocadinho, é sempre um prazer.

Vemo-nos em breve,

POR: Carolina Vale Quaresma _ Coach Familiar _ Terapeuta do Sono Infantil

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