Bebés choram em diferentes línguas

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A entoação que é dada quando a criança chora assemelha-se à que é dada em determinada língua. Um estudo de uma bióloga alemã confirma essas diferenças nas melodias, dando como certo que os bebés assimilam os ritmos diferentes dos sons que ouvem.

Estudiosa há vários anos dos primeiros sons dos bebés, a bióloga e antropóloga alemã Kathleen Wermke está convicta de que as crianças choram em diferentes línguas. 

As conclusões tirou-as através de um estudo, durante o qual analisou meio milhão de gravações de bebés de várias partes do mundo. Através dessa análise, a investigadora conclui que os recém-nascidos produzem melodias de choro que refletem as línguas que ouviram no útero.

Como exemplo, Kathleen Wermke refere que um recém-nascido alemão chora de um tom mais alto para um tom mais baixo (à semelhança da língua alemã), os bebés franceses choram com a entoação crescente e nos bebés asiáticos há quase uma melodia, o choro é mais cantado.

É certo que os bebés não compreendem o conceito de linguagem, mas notam que há ritmos diferentes nos sons.

Na investigação da bióloga alemã, os choros das crianças foram gravados durante vários dias em hospitais.

Também dedicada a este tema, a terapeuta da fala Joana Rombert corrobora que o bebé consegue escutar os vários sons do mundo durante os nove meses em que está dentro da barriga da mãe, por isso “quando nasce, é capaz de chorar com a entoação dos sons do mundo”, aqueles que foi escutando no útero.

Aliás, esta especialista vai mais longe e afirma que, sendo o choro a única forma que o bebé tem para comunicar, “se o bebé chorar muito, isso é bom. É sinal que ele está a querer comunicar alguma coisa”. Assim, ela explica que, até aos seis meses, os bebés começam a “afinar” as suas capacidades auditivas, percecionam sons diferentes da língua e começam a moldar-se mediante a mãe “porque têm os neurónios em espelho, em que reproduzem o que a mãe diz”. É nessa altura que o bebé desperta para a língua chamada de “maternalez”, algo que tem a ver com os padrões de entoação e de melodia que existem antes da criança emitir a primeira palavra.

Depois dos seis meses começam a fazer o balbucio, o tão conhecido “bê ába bá “, ou seja, repetem a mesma sílaba.

Mais tarde, surge o palrar diferenciado e depois nasce a primeira palavra, por volta do primeiro ano.

Até aos 18 meses a criança deve dizer a primeira palavra, mais do que isso já é considerado um sinal de alarme, pois pode significar que a criança tem um problema auditivo ou outro.

Voltando ao estudo, tudo começou quando a alemã Kathleen Wermke gravou na sua clínica na Universidade de Würzburg o choro do recém-nascido Joris e, mesmo sem a ajuda de ferramentas computorizadas, conseguiu notar um padrão diferente nos gemidos do menino. Especialista nos primeiros sons dos bebés, disse: “Ele acabou de chorar em alemão, certo?”. A partir daí desenvolveu então esta investigação, cujos resultados vieram a confirmar as suspeitas.