21ª edição de FIAR em Palmela de 23 a 25 Junho

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Créditos Rita Santana

PROGRAMAÇÃO

23 de Julho (Sexta-Feira)

17h – Sessão de Abertura do Festival.

Local: Pátio da Adega Casa da Atalaia  Duração: 40 m  Class. Etária: todos

18h – Corpo Lúteo, Exposição

A exposição de fotografia de Ana Telhado intitulada Corpo Lúteo, na Adega da Casa de Atalaia, desenvolve tópicos centrais da sua obra que derivam de um pensamento antropológico sobre o género feminino.

O seu questionamento estribado na metáfora do corpo, como construção polissémica, inspeciona condições de possibilidade da liberdade e da sua progressão independentemente das convenções sociais e dos estereótipos que desta forma condicionam as diversas modalidades da sua humanidade.

Estas representações de mulheres, próximas de uma representação clássica entre a figura e o fundo, estão associadas a uma acção determinada que nos propõe uma oposição/contradição: o corpo desnudado e a sua existência projectada, sonhada e indexada sobre modelos convencionais referenciados na indumentária e pelos objectos que simbolizam uma possível libertação.

Estes objectos resgatam na memória colectiva a condição da mulher, da sua liberdade e das contradições existenciais a que é sujeita.

Local : Adega da Casa da Atalaia

Duração da Exposição : todo o evento  Class. Etária : todos

20h30 – Peça para Intervalos, Teatro

Uma performance/conferência sobre o uso do intervalo ao longo da história do Homem e da história do teatro (pausa.) Um projeto de apropriação de experiências pessoais inacabadas que, ao longo da vida, vão ressoando como um constante impasse (pausa.)

Uma peça tomada de assalto por muitos intervalos habitados por um homem, Celestino Pinto, que se coloca em cena com um objetivo concreto: preencher o tempo entre os actos de um espectáculo, testando, deste modo, a possibilidade de adiar uma morte (pausa longa.)

Em Peça para Intervalos, a quinta colaboração para teatro entre Rui de Almeida Paiva e Bruno Humberto, investiga-se a argamassa da própria natureza ilusória do tempo no teatro, do entreter a partir da tradição oral e performática, e das implicações, em cada ser humano, da existência de um último intervalo sempiterno, que com um forte poder de sucção aspira tudo o que o rodeia, tornando-se, ele próprio, na peça central (pausa concreta.)

Projecto financiado pela República Portuguesa – Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes.

Local : Miradouro da Encosta do Castelo  Duração : 60 m  Class. Etária: m/6

24 de Julho (Sábado)

11h/ 14h – A Grande Viagem do Pequeno Mi, Oficina de Dança, Música, Leitura e Ilustração

Em cima de uma grande mesa, uma bailarina dança e uma música canta e toca. O público, sentado à volta, observa as duas de perto. Elas dançam, cantam e tocam para que este decifre como são e de onde vêm os seus passos, os seus gestos, a sua figura em movimento.

Como se juntam aspectos do que as artistas vêem no momento em que dançam e tocam para um grupo de adultos e crianças, com os micro movimentos, olhares e poses do público enquanto observa? Mi, neste caso, é uma abreviação de micro movimento.

Ou seja, a fonte que sustenta todo o espectáculo. Um espectáculo sobre o poder da imaginação inspirado na obra de Sandro William Junqueira com ilustrações de Rachel Caiano.

Local: Parque Venâncio Ribeiro da Costa      Duração: 60 m cada sessão  Class. Etária: m/6

16h – Trans(h)umância, Performance

Entende-se por transumância o deslocamento sazonal dos rebanhos para locais que oferecem melhores condições durante determinada parte do ano.

A performance é ancorada num conceito de constante procura, é um cruzamento metafórico entre as singularidades do homem e de um rebanho.

Temos um pastor e um rebanho. Os transumantes são personagens de executivos, a imagem estereotipada do indivíduo que usa fato preto e mala executiva. O pastoreio é orientado e mestrado pela personagem de um pastor. (imagem tradicional de um pastor).

A performance é no seu todo um jogo simbólico que deixa em aberto diferentes leituras do mesmo objeto, as imagens criadas transportam facilmente para um universo contrastante entre o mundo rural e o mundo urbano ou para o capitalismo como forma de transumância.

A performance tem um registo de deambulação com pequenos apontamentos fixos, os quais procuram uma exploração dos diversos espaços físicos que a rua nos oferece.

Local: Largo S. João Baptista  Duração: 45m  Class. Etária: todos

Várias sessões – Ausentes do Alentejo, Grupo Coral de Cante Alentejano

Local: Jardim de S.João (várias sessões)

17h30 – Dançar na Rua, Dança Contemporânea

A Rua, um espaço revolucionário, propício ao encontro com o outro e à reflexão sobre nós mesmos. Nesse vai e vem, num conjunto de amigos ou solitários, a deambular pelas ruas.

Local: Largo Marquês de Pombal      Duração: 4 apresentações de 25/30m cada

Class. Etária: todos

21h – 2OPROS, Circo Contemporâneo

Em 2019, Sopros reflectia sobre as inquietações do artista, enquanto intérprete, perante o seu papel mediador entre a obra e o seu público.

Pouco mais de meio ano depois, o impensável aconteceu e as artes performativas viram a sua actividade suspensa, fruto de uma pandemia provocada por um vírus transmissível por um simples sopro. As luzes dos teatros apagaram-se.

As salas ficaram vazias e fechadas. A própria vida em suspenso na corda. Desta forma, 2opros, mais do que uma continuação, é uma resposta, uma reacção. Do monólogo interior, de 2019, ao diálogo urgente que se nos impõe, em 2021.

É no circo que permanecemos, lugar de risco permanente, metáfora perfeita para a reinvenção. Lugar onde a arte sonha a vida. Onde cada um vê questionado o seu papel na mesma. Onde a celebração é permanente. E sopram os nossos corações pela Dolores de Matos, que um dia sonhou tudo isto.

Nova criação do FIAR/CAR em residência artística em Palmela em Julho.

Local: Largo 5 de Outubro  Duração: 45m  Class. Etária: todos

25 de Julho (Domingo)

11h – Marionetas Musicais, Teatro de Marionetas

Estas marionetas musicais representam o início do percurso de Rui Sousa como marionetista, rumando ao ano de 2001, quando se apresentava nas ruas do norte do país, nomeadamente na Rua de Santa Catarina no Porto.

Artistas como o Saxofonista Charlie ou os Cariocas Carlão e Beleza, tocavam e dançavam para regalo dos que passavam e formavam um cordão de público enorme, com sorrisos estampados no rosto. Adultos e crianças sempre demonstraram carinho por estes personagens, e Rui Sousa foi criando novos artistas como Aníbal (o mestre de cerimónias), Zé Xerife e Mary Lou, Zafirah, entre outros.

Todas estas personagens apresentam uma alegoria, uma fantasia ou uma surpresa, levando o público até um mundo mágico e encantado, proporcionando uma viagem musical pelo Jazz, Samba, Country, Clássica, entre outros estilos de músicas e danças.

Miúdos e graúdos são convidados por vezes a dançar sem sair do lugar, ou a bailar sem levantar o rabiote do chão. Este espetáculo tem uma forte interação com o público, ‘roubando’ este da plateia, trazendo-o até cena, sendo parte integrante da performance. Outra vantagem é que os conteúdos apresentados podem ser transformados em animação de rua fixa ou circulante, levando as personagens a deambular entre públicos flutuantes.

Local: Parque Venâncio Ribeiro da Costa  Duração: 40 m  Class. Etária: m/6

14h – Marionetas de Circo

Um desfilar de atrações circenses em que cada artista traz o seu truque ou habilidade. Um espetáculo pleno de perícia e humor, com a presença de um malabarista, um contorcionista, uma bailarina, um ciclista, um trapezista, e outros mais artistas.

Poderemos ver um sem fim de números clássicos de circo em marionetas de fios, misturados também com outros números mais arrojados como o perigoso faquir, a cadelinha aventureira e o ‘terrível’ esqueleto.

É sem dúvida um espetáculo/performance com muita cor e movimento, bem como musicado por bandas sonoras dos melhores circos do mundo, que leva todo um público familiar numa viagem circense ímpar.

Este espetáculo foi evoluindo com os anos, desde a sua estreia em 2005, devido à sua interação com o público e o desenvolvimento da técnica. Ao longo dos tempos, as próprias marionetas foram-se renovando, contendo mais habilidades e outros extras.

Para além de todo o circuito de eventos nacionais, as Marionetas de Circo já saíram da fronteira rumando até Espanha, Bélgica e Macau.

Local: Parque Venâncio Ribeiro da Costa  Duração: 40 m  Class. Etária: m/6

16h – Ariadne, Fiando e Confiando, Dança/Performance

Se alguém, por generosidade poética, te confiar o fio duma meada, terás de responder à confiança com a curiosidade e a coragem necessárias para mapear um labirinto – físico e mental. Assim fez Ariadne mas foi traída por uma alma distraída… Suponhamos que a floresta é o labirinto onde uma reencarnação de Teseu anda perdida.

Os espectadores/passeantes responderão ao desafio de se tornarem outras tantas Ariadnes e a busca de Teseu será uma maneira de contar a história ao contrário. Ariadne é a terceira e última mulher da mitologia grega a ser convocada nesta trilogia que Leonor Keil iniciou em 2018 para o FIAR.

Cada mulher mitológica desta trilogia encarna a heroína de uma história dramática. As histórias imortais de que elas são protagonistas interessam à artista pela matéria potencial que nelas encontra.

Pretende assim, através das figuras míticas, falar da condição da mulher no presente, denunciar os desrespeitos que ainda são vítimas e as desigualdades que ainda as afetam. O elo visual e cenográfico que liga as três narrativas desta trilogia é o fio, no plural ou no singular. Estes fios funcionam simbolicamente como extensões das suas emoções e dos seus poderes.

O fio que transforma (Medusa) – O Fio de Medusa Estreado no Micro FIAR 2019

O fio que engana (Penélope) – Elo e Novelo Estreado no FIAR 2020

O fio que salva (Ariadne) – Ariadne, Fiando e Confiando Estreia no Micro FIAR 2021

Fio de fiar, de confiar, de desfiar, de desafiar, de chefiar, de atrofiar, de hipertrofiar, de porfiar…

Local: Parque Venâncio Ribeiro da Costa    Duração: 40m    Class. Etária: todos

Esculturas sobre a Trilogia criada para o FIAR, consagrada a ícones femininos de carácter mitológico: Medusa, Penélope e Ariadne.

O FIO DE MEDUSA Estreou dia 4 de Agosto 2018.

POR UM FIO. O mito de Medusa é uma história de faca e alguidar, repleta de amores e desamores, ciúmes e vinganças, divindades e poderes mágicos. Apesar de excessiva, a narrativa mitológica encerra elementos ficcionais e cenográficos que mantêm toda a densidade de sentido se vistos a partir da atualidade.A figura de Medusa possui múltiplas facetas. Medusa a Górgona mortal, ao contrário das suas irmãs. Medusa assediada. Medusa abusada. Medusa violada. Medusa punida. Medusa assassinada às ordens da deusa Atenas. Medusa decapitada. Medusa troféu de Perseu… No pequeno espaço das ruínas da igreja de Santa Maria, recriou três momentos do mito de Medusa, convocando para o aqui e agora situações e atitudes, sentimentos e práticas enraizadas no mundo antigo mas identificáveis com conjunturas e condicionalismos que ainda hoje movem comunidades.

ELO E O NOVELO  Estreou a 25 de Julho de 2020.

O fiel amor de Penélope tem como adversário o tempo. Ela estica segundos, dribla minutos, dilata a duração dos dias. Obstinando-se nessa sua batota do amor. A impossibilidade de partir e a impossibilidade de regressar. A necessidade, humana em geral e feminina em particular, de transformar a rotina imposta em prazer, a espera em esperança, o projecto em objecto, a obsessão em objectivo, a crença em missão – essa alquimia do metamorfosear o banal em sublime, a manhã, a capacidade de adaptação, o talento para regenerar.

Local: Parque Venâncio da Costa Ribeiro   Duração: todo o dia 24   Class. Etária: todos

Itinerante – Ausentes do Alentejo, Grupo Coral de Cante Alentejano

18h – Baixos e Altos, Circo Contemporâneo

Esquece as retas. Pensa em círculos, em curvas, em BAIXOS E ALTOS. Assim, as surpresas da vida surpreender-te-ão menos. Pensa em labirintos, em tramas de tecidos, em caminhos, pontos cruzados, montanhas russas, em idas e vindas. Lembra-te da beleza da surpresa e da magnitude do desconhecido. Da emoção de cada passo e da probabilidade fantástica de dar certo ou errado. Mais ainda, reflete sobre a poderosa mudança do conceito de CERTO E ERRADO. Não penses em dados ou estatísticas, considera a vibração, o pulsar das batidas do teu coração. Aceita a queda!

Local: Fontanário do Largo S. João Baptista    Duração: 60 m    Class. Etária: m/3

20h30 – Miranda, Concerto